Já se sabe que as modas juvenis têm, à partida, o prazo de validade de um pacote de leite azedo. Uma moda é uma moda e raramente passa disso. Se agora são vampiros adolescentes, antes eram enlatados de histórias com fadas e unicórnios - muda o cenário, o espírito é essencialmente o mesmo. Mas, de repente, dois mundos chocam: uma papa travestida de thriller psicológico para consumo pré-adulto e o indie rock, que anda há demasiado tempo a fazer-se à pop instantânea.
Vemos agora o segundo capítulo da série "Crepúsculo" ganhar créditos indie por incluir nomes como Thom Yorke ou Grizzly Bear na banda sonora. Mesmo sem ver o filme, a inteligência crítica apressar-se-á a notar o extremo bom gosto da trilha por oposição ao carácter sofrível do filme. No caso particular, estas linhas são escritas com os olhos de quem não viu o primeiro nem o segundo (este ainda por estrear em Portugal) e os ouvidos de quem escuta agora a música do filme.
Um dos grandes pontos a favor do disco é a exclusividade dos temas incluídos: tudo o que se ouve foi composto propositadamente para dar música à "Lua Nova", a sequela de que se fala. Nem tudo é bom, obviamente, e o disco passa grande parte do tempo a arrastar-se a meio gás, indeciso entre servir as gordurinhas (as músicas dos Killers e dos Muse são exemplo disso) e o prato de bom bife que o menu sugere.
Thom Yorke, a voz dos Radiohead, destapa a primeira pontinha de um icebergue que não chega a ir tão fundo como desejado: 'Hearing Damage' é rock banhado de sintetizadores e tetris electrónico. Logo a seguir chega Lykke Li, empapada no seu charme sueco, que em 'Possibility' quase rouba o show ao resto dos convivas: a melodia apianada faz mais por criar a atmosfera melancólica e soturna que o tema do filme pede do que qualquer um dos outros.
Para a comunidade indie (o verdadeiro flirt desta música é com ela, seja lá o que ela for), os dois grandes motivos de interesse são afinal duas colaborações. Primeiro, Bon Iver com St. Vincent na paisagística e minuciosamente acústica 'Rosyln', depois, Grizzly Bear ao lado de Victoria Legrand, a metade feminina dos Beach House, na cavalgada lenta (mas épica) de 'Slow Life'. Quando estes encontros acontecem, quase juramos que morder pescoços é coisa séria.
Vemos agora o segundo capítulo da série "Crepúsculo" ganhar créditos indie por incluir nomes como Thom Yorke ou Grizzly Bear na banda sonora. Mesmo sem ver o filme, a inteligência crítica apressar-se-á a notar o extremo bom gosto da trilha por oposição ao carácter sofrível do filme. No caso particular, estas linhas são escritas com os olhos de quem não viu o primeiro nem o segundo (este ainda por estrear em Portugal) e os ouvidos de quem escuta agora a música do filme.
Um dos grandes pontos a favor do disco é a exclusividade dos temas incluídos: tudo o que se ouve foi composto propositadamente para dar música à "Lua Nova", a sequela de que se fala. Nem tudo é bom, obviamente, e o disco passa grande parte do tempo a arrastar-se a meio gás, indeciso entre servir as gordurinhas (as músicas dos Killers e dos Muse são exemplo disso) e o prato de bom bife que o menu sugere.
Thom Yorke, a voz dos Radiohead, destapa a primeira pontinha de um icebergue que não chega a ir tão fundo como desejado: 'Hearing Damage' é rock banhado de sintetizadores e tetris electrónico. Logo a seguir chega Lykke Li, empapada no seu charme sueco, que em 'Possibility' quase rouba o show ao resto dos convivas: a melodia apianada faz mais por criar a atmosfera melancólica e soturna que o tema do filme pede do que qualquer um dos outros.
Para a comunidade indie (o verdadeiro flirt desta música é com ela, seja lá o que ela for), os dois grandes motivos de interesse são afinal duas colaborações. Primeiro, Bon Iver com St. Vincent na paisagística e minuciosamente acústica 'Rosyln', depois, Grizzly Bear ao lado de Victoria Legrand, a metade feminina dos Beach House, na cavalgada lenta (mas épica) de 'Slow Life'. Quando estes encontros acontecem, quase juramos que morder pescoços é coisa séria.
Fonte: Cotonete

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