sábado, 28 de novembro de 2009

Os vampiros também se abatem

Depois do magnífico "Crepúsculo", o segundo título da saga "Twilight" consegue desbaratar toda as potencialidades do universo criado por Stephenie Meyer. Ingloriamente
Os vampiros também se abatem
Michael Sheen no papel de Aro, o vampiro italiano

Face a "Lua Nova", segundo episódio da saga "Twilight", poderíamos, talvez, tentar estabelecer pontes com os mais diversos filmes de vampiros que a história regista. Por exemplo, evocando a obra-prima "Nosferatu" (1922), de F. W. Murnau — mas entre os milhões de jovens que irão ver "Lua Nova", a quantos foi dito que existiu um génio chamado Murnau?

Poderíamos lembrar atores popularíssimos nos mais diversos filmes do género. Como Bela Lugosi, nos EUA, nos anos 30. Ou Christopher Lee, nas lendárias produções da Hammer Films, nas décadas de 50/60, na Grã-Bretanha. Ou ainda citar o caso modelar de Gary Oldman, compondo o mais pós-moderno dos vampiros em "Drácula de Bram Stoker" (1992), de Francis Ford Coppola.

Para quê? De fato, sejamos realistas (por vezes, algum realismo pode ter algo de pedagógico): "Lua Nova" é um filme alheio a tudo isso. Mais ainda: é um filme que consegue desbaratar ingloriamente o belíssimo novo romantismo que Catherine Hardwicke celebrava em "Crepúsculo" (2008), precisamente o primeiro título desta saga baseada nos livros de Stephenie Meyer.

Que resta, então? Uma história maniqueísta, como um vulgar jogo de video (os "vampiros" perseguem os "lobisomens" que perseguem os "vampiros"...). Um labor técnico apressado que falha, inclusivamente, na eficácia dos efeitos especiais (por exemplo, os movimentos dos "lobos") em que, por regra, os estúdios americanos são extremamente exigentes.

Enfim, deparamos com uma coleção de atores que mereciam outro tratamento: Kristen Stewart e Robert Pattinson, tão misteriosos e sedutores no primeiro filme, são agora "lançados às feras" e, em muitas cenas, tem-se a sensação de que nem sequer foram devidamente dirigidos; até mesmo profissionais tão competentes como Michael Sheen (no papel de Aro, o vampiro italiano) vêem o seu empenho desaproveitado por uma mise en scène meramente instrumental.

As sagas são um mal do cinema moderno? Não, não são. Lembremo-nos dos primeiros três títulos das aventuras de "Indiana Jones" ou ainda desse sonho/pesadelo informático encenado na trilogia "Matrix". O problema de fundo está nos filmes que são gerados por valores apenas de marketing, sem qualquer paixão pelo cinema. Em boa verdade, é um problema mais velho que muitos vampiros...

Fonte: RTP

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